A Rede, a Transparência e a Democracia
Amigos –
Tenho recebido variadas indagações manifestando dúvidas quanto à efetividade de se organizar no contexto horizontalizado, auto-regulável que caracteriza as comunicações realizadas em rede.
Acredito que a novidade da rede é ainda muito recente e seus atributos funcionais pouco conhecidos e praticados, o que tem gerado certa confusão. Minha leitura é que muito provavelmente as dúvidas têm mais a ver com uma expectativa equivocada com relação ao comportamento de um meio auto-regulável do que propriamente com a dinâmica, interface e ferramentas da rede em si.
Partindo de uma interrogação básica, ofereço aqui algumas reflexões que talvez possam ajudar a consolidar uma ótica mais apropriada: O que a rede tem a oferecer à democracia e por quê?
Contexto Geral
Tecnicamente, com um e-mail gratuito qualquer pessoa pode estabelecer contato direto e imediato com qualquer outra na Internet, hoje com 1 bilhão e meio de pessoas conectadas e distribuídas em todos os continentes da Terra. É dentro dessa gigantesca rede virtual que temos a Google, os blogs, os sites, as redes sociais – orkut, facebook, voluntários, congresso verde, protogenes contra a corrupção, etc. – os portais de mídia, serviços de toda espécie, nota fiscal eletrônica, bancos & boletos, governos & tributos, Youtube, Wikipedia, ensino a distância e por aí afora, tudo acontecendo na onda de expansão irredutível da Internet, cuja ubiqüidade já é antecipada pela grande maioria dos estudiosos de mídia eletrônica.
Em 2002, a Wikipedia tinha quatro contribuidores e 149 artigos em português. Seis anos mais tarde, em maio de 2008, a enciclopédia tinha 13 mil e 655 contribuidores, 380 mil artigos, além de 6.7 milhões de links estabelecidos na rede, dos quais cerca de 405 mil são redirecionados todo mês. Isso só em português! Fico imaginando o que Diderot, o primeiro enciclopedista, diria disso tudo... .
Existem também outras formas poderosas de compartilhar conhecimento e dar suporte à mobilização de pessoas, as quais assistem centenas de milhões de vídeos por dia no Youtube e enviam centenas de milhares de vídeos diariamente pelo planeta.
Falando mais pontualmente, 85% dos usuários de Internet integram redes sociais hoje no Brasil. Ou seja, dos 43 milhões de brasileiros que já formam o universo de pessoas com acesso à banda larga, 36 milhões de cidadãos maiores de 16 anos já estão compartilhando, produzindo e se organizando em redes sociais.
A primeira conclusão que se pode tirar disso tudo é a seguinte: Sendo que a fonte de alimentação de uma rede tem origem em muitas outras redes que formam, juntas, essa enorme rede auto-regulável com dimensões planetárias que batizamos Internet, pode-se dizer com segurança que a rede abrevia, multiplica e randomiza os ciclos dos processos de comunicação, tornando-os mais curtos, imprevisíveis, diversos e inumeráveis. Essa entropia, por sua vez, produz uma galáxia de novos componentes e módulos de informação de natureza diversa (information clusters).
Esse novo contexto representa um meio dinâmico que se presta à apropriação da criatividade e à produção de conhecimento. As possibilidades para a criação e invenção são diretamente proporcionais às correlações oferecidas por essa multidão de novos componentes disponibilizados em suas múltiplas formas. Coloque-se isso em função da velocidade de processamento computacional e estamos diante de um longo período criativo a ser apropriado pelo coletivo humano.
A segunda conclusão é que a dinâmica fluida dos ciclos e a subseqüente geração de módulos de informação sinalizam a obsolescência da produção de conhecimento útil que não seja simultânea à aplicação desse mesmo conhecimento. Os ciclos dos processos de comunicação anulam o conhecimento a não ser que ele seja ativa e permanentemente alimentado, produzido e aplicado, numa cadeia onde o saber deixa de ser um produto para se tornar um constante processo de aplicação (a vingança de Sócrates?). Isso parece ocorrer em função de dois atributos essenciais da Internet:
a) A ubiqüidade no tempo (always-on);
b) A não-linearidade do espaço virtual (cyberspace).
Inventividade Política
A rede trouxe o saber e o fazer para o mesmo endereço e isso tem uma profunda conotação político-social porque implode a noção de representatividade e anuncia a entrada inexorável de milhões de pessoas novas, diretamente ligadas aos processos decisórios em todos os setores da sociedade. Para que eu preciso de representante se eu mesmo posso fazer o que preciso?
A biblioteca, o canal de TV, a enciclopédia, o despachante, a assistente, o clube, o namoro, a discoteca e o trabalho já foram para a rede. Não é por acaso que o Partido da Internet está sendo anunciado para as eleições gerais da Espanha em 2012 com o slogan, O futuro se constrói em rede.
No Brasil, a curva de adoção da Internet é de 30% ao ano, o que significa que já no segundo trimestre de 2010 podemos esperar um total de 70 milhões de cidadãos interconectados, determinando tendências e se organizando politicamente em rede. É, portanto, bastante provável que o caso da sociedade brasileira seja feito a partir dos produtores de tendências que alimentam a rede.
Cidadãos Produtores de Causas
Um mundo mais conectado é um mundo mais rápido, mais ágil e mais potente socialmente porque ele é um mundo produtor de causas compartilhadas. Isso é uma vantagem enorme para todos os interessados numa política social sustentável, a qual se qualifica pela capacidade de causar o compartilhamento do saber como poder, assim diluindo as tensões sociais através do processo de empoderamento.
Historicamente, a distância entre as classes sociais representa a distância de acesso – aos recursos e ferramentas de conhecimento estratégico e intelectual – entre as classes sociais. Com o aumento exponencial de acesso à rede – um meio autoregulável – o aparecimento da multiliderança se torna uma alternativa real ao modelo verticalizado das classes sociais e do poder político tradicional.
Mesmo que instintivamente, as pessoas já compreendem que a transparência inerente da rede cria um meio onde os papéis são atribuídos naturalmente, de forma que a liderança é sentida e construída coletivamente já que se sustenta na transparência contínua e verificável de um meio horizontalizado. Na rede os líderes são necessariamente múltiplos e complementares.
Também, não devemos nos surpreender ao notar que o processo de glocalização das novas esferas políticas esteja intimamente ligado com a questão do “local separado” vis-à-vis o “local conectado”, bem como entre “dependência x independência” vis-à-vis “interdependência”. Isso nos remete novamente aos atributos de concomitância dos processos de comunicação e produção em rede, onde “o local é global”.
A Rede é Fenomenológica
A rede existe em função da primeira pessoa e essa perspectiva é fenomenológica, ou seja, a rede existe proporcionalmente à atenção e ao engajamento do usuário, uma vez que os elementos constituintes da infra-estrutura da rede de comunicação – produtores e retransmissores de conteúdo – são os próprios usuários. De certa forma, a rede é uma escola de auto-estima porque seu funcionamento é alimentado pela participação insubstituível de cada indivíduo. Ideologicamente falando, esse fator invoca a oportunidade de praticar a democracia jeffersoniana, onde “as pessoas são o governo e o governo é as pessoas”.
Afinal, é possível que a ferramenta da “democracia do povo” já tenha chegado e que ela se chame Internet. Mas isso só o tempo vai dizer, conforme os constituintes da rede usam as novas ferramentas de comunicação para buscar o conhecimento e exercer a cidadania que têm dentro de si. Como alertou Thomas Jefferson, sem o engajamento consciente dos cidadãos a democracia se torna impraticável: “Se uma nação espera ser ignorante e livre, ela espera o que nunca foi e nunca será”.
Abraços fraternos,
Ricardo
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Convido-o a conhecer o meu Blog “Chá.com Letras”. Ufa! Deu trabalho demais! Mas acabei de colocar no ar. Padeço hoje de forte enxaqueca, que sei, é de ressaca emocional. É um sonho que acabo de realizar. Estou um trapo, mas que ressaca gostosa esta!!!
www.chacomletras.com.br
A minha luta aqui é outra: é pela melhoria da EDUCAÇÃO DO POVO BRASILEIRO. Neste espaço, vou poder exercer a minha liberdade de repassar, de espargir conhecimentos adquiridos em minha vida profissional e artística, visando à melhoria do uso da nossa Língua Pátria, ao incentivo à parática da Literatura e ao estudo da Filosofia.
Entre lá, e ao invés de me escrever respondendo esta mensagem, deixe um comentário no próprio blog, em uma das matérias lá postadas, passando-me suas impressões.
Mas visite o blog todo. Vale a pena. Veja como ficou chic o design (fruto do bom-gosto do Leopoldo Rezende – meu filho) e o conteúdo. Me diz se gostou.
Agradeço a você pela amizade sincera e compartilhada. São os amigos que nos energizam para as realizações mais importantes das nossas vidas.
Espero-o lá como leitor assíduo. Será uma honra para mim.
Abraço,
Leila
Não poderei comparecer na cerimônia de filiação do Protógenes, pois resido em Vila Velha -ES, mas, estarei presente de coração, embora, conforme mensagem enviada ao próprio Protógenes, comentei, que não sou simpática ao partido escolhido por ele, pois acho, que tudo que está relacionado ao comunismo está "out" nos dias de hoje, até mesmo numa visão mundial, mas,que ele Protógenes é uma pessoa do bem e saberá como lidar com tds as situações quer positivas ou não.
O importante é unirmos e apoiá-lo, para sonhármos com um Brasil mais justo e melhor.
Muito obrigada pela sua atenção, pelo convite.
Um forte abraço
Parabéns pelo excelente trabalho.
Quanto ao nosso amigo Protógenes, acho que poderia ter feito opção menos agressiva, visto que a trajetória do PC do B traz consigo todo um passado de fortes emoções, muitas ainda presentes, e com preconceitos que criam enormes resistências.
Creio que seria mais fácil criar um partido novo, para chegar a um sucesso mais sustentável.
Apesar disso é um partido de organização ideológica superior aos demais, em que pese minha experiência pessoal direta, onde percebo que sua aproximação do poder tem encastelado militantes, dantes muito mais acessíveis a diálogos.
Seus canais de comunicação estão muito longe até mesmo deste muito mais novo veículo de comunicação, o que revela alguma defasagem na organização, que vai prejudicar sua eventual candidatura, e principalmente posteriores articulações.
Continuamos na esperança de sua presença em Pontal do Paraná e Curitiba por ocasião de meu aniversário, quando pretendemos organizar uma reunião algo mais barulhenta e impactante, que as rotineiras.
A PAZ DO SENHOR
ZÉ CARLOS
PASTORAL DA FÉ E POLÍTICA DO "DIVINO"
SINDICATO DOS SOCIÕLOGOS DO ESTADO DO PARANÁ - DRT326PR
CONSELHO DE SEGURANÇA COMUNITÁRIO DE PONTAL DO PARANÁ
Confio nessa nova geração de brasileiros para mudar o país. Uma corrente pode mudar a direção do mar. O Dr. Protógenes e o meritíssimo Dr. Fausto é um grande exemplo disso. abs
Vivi
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